segunda-feira, 23 de novembro de 2015

MERECE!!

Agradecer. Sempre.
Mas agradecer verdadeiramente: as pessoas, os dias, as palavras, a vida. 
Degustar com os cinco sentidos o sexto. 
Absorver dos pés aos ouvidos cada segundo de tempo: uma breve ocasião, um longo momento. 
Estar presente, estar consigo, estar contido, mas esparrAMAR-SE com o vento. 
Perceber a sintonia do acaso, ter com o bem-estar um caso: de loucura, de ternura, de Gratidão.
Gostar de saborear o sentimento, na pluma da delicadeza. Bem-querer com verdade é da nossa natureza.
Em meio a tanta GRATIDÃO...Ouvi dos gaúchos em Pelotas, algo que trouxe comigo. A cada agradecimento meu, não ouvia um "Por nada"..."Não tem de que"... mas sim..."MERECE"!
Jeito mais lindo de expressar Gentileza..."GRATIDÃO"! -"MERECE"!
Passei a acreditar, sem pretensão nenhuma, que somos MERECEDORES de tudo aquilo que nos provoca o riso, o brilho no olhar.
Entregar-se à gentileza. Conhecer a simplicidade de tudo que  está explícito, abandonando os pré- conceitos as leituras superficiais da cena, abrir espaço para o novo, perder-se das certezas. 
Agradecer. Mas agradecer com uma intensidade sem peso, drama, jogos, teias, regras, tramas.
Agradecer. Sentir. Estar. Gostar. Conhecer...
Saber ir, bem-querer ficar.
O que vier de bom...Você MERECE!


Para Rute e Ademir,pelotenses amados, com admiração e afeto.
Aos alunos, professores e amigos da E.E.E.M.Santa Rita, 
pela "Flor Amarela" que eu vi brotar.





sábado, 21 de novembro de 2015

REVERDEJAR!

"Quando percebes a natureza apenas com a mente, por meio do pensamento, não podes sentir sua plenitude de vida, seu ser. Unicamente vês a forma e não estás consciente da vida que a anima, do mistério sagrado. O pensamento reduz a natureza a um bem de consumo, a um meio para conseguir benefícios, conhecimento, ou a algum outro propósito prático.
Observa, sente um animal, uma flor, uma árvore, e vê como descansam no Ser. Cada um deles é ele mesmo. Eles têm uma enorme dignidade, inocência, santidade. No momento em que olhas além dos rótulos mentais, sentes a dimensão inefável da natureza, que não pode ser compreendida pelo pensamento.
É uma harmonia, uma sacralidade que além de preencher a totalidade da natureza, também está dentro de ti." -Eckhart Tolle

Tenho nos últimos anos, me colocado como aprendiz da Mãe Natureza. Um exercício diário que provoca encantamento e a Paz que eu necessito pra viver.

Desenvolvemos na "Escola Flor" um canteiro permacultural, que convidava a criançada à tocar a Terra...Berços ao invés de covas. Sementes carinhosamente acolhidas pelo solo, despertavam a atenção, a contemplação...o olhar e a alegria! Não se fazia necessário uma discussão formal sobre Bulling, por exemplo. A terra acolhia a semente que alimentava toda gente, que era cuidada pelas crianças, que aprendiam com esta experiências a cuidarem de si mesmas e dos outros. O respeito às diferenças num canteiro onde predominava a Diversidade.

Na mesma Escola, recebi a visita da amiga de uma amiga. Leila visitou e fotografou todos os espaços, horta, bosque, jardim, orquidário... Ao término mostrou-me parte das imagens captadas em seu celular. Inúmeras flores, das mais variadas formas, tamanhos e cores...Disse que buscava forças naquele tão Jardim Encantado. A partir do dia seguinte, iniciaria uma batalha contra um câncer em sessões de quimioterapia...

Em uma inserção ao Eu Feminino, na Ciranda de Gaia...trouxe do Espaço Clarear-Balneário Camboriú,  uma muda de Fisalis, pequena e frágil, exigiu minha atenção e cuidado. Hoje já é uma arvorezinha e exibe os primeiros frutos. A planta florindo e frutificando, faz vibrar os compromissos assumidos com Gaia, com os que me cercam. Comigo mesma.

No mesmo vaso da Fisalis depositei três bulbos adormecidos de Narciso, uma belíssima Flor Amarela, oferecidos a mim como presente por Dora, amiga querida. Os bulbos, aparentemente sem vida, me surpreenderam hoje com a brotação. Esperança e entusiasmo renovados!

No retorno da minha ida a Pelotas, encontro minhas petúnias numa explosão de cores, que após uma boa rega...me mostram o quanto precisamos de alegria (e de água!!). Já minhas orquídeas lentamente mostram suas pequenas folhas e raízes. É preciso paciência. E a floração é apenas parte do processo. Estão lindas assim, verdes e brilhantes.

A Hemerocállis Roseana Murray, materializou há anos atrás a amorosa homenagem de uma comunidade escolar inteira, à poetisa, mulher, amiga. Poesia cultivada, plantada para sempre em terras joinvillenses.

Silvane Silva, a Hemerocállis lançada pela Agrícola da Ilha no ano passado, me trás um sinal, continuar semeando flores, poesias e abraços. Veio junto a Gratidão que continua reverberando em mim a cada dia.

Temos no Aconchego, uma roseira de flores brancas... que anunciam a chegada de pessoas muito queridas. Florescem sempre antecipando abraços demorados e risos de contentamento. Ultimamente ela não deixa de florir! Para quem chega, tem sempre um chazinho de alecrim fresco, ou um patê de ervas, frescas também. Exercito assim, a sacralidade da acolhida, do "estarmos juntos".

Nossa árvore de Natal, este ano será uma jabuticabeira, viva! Carregadinha de desejos, iluminada por nossos sonhos... enfeitada por quem chegar. Resignificados...

Entre as plantas aqui de casa, uma floreira com terra escura e adubada, aguarda novas mudas e sementes... Meu coração também aguarda o que está por vir, mãos na terra, muitas ideias na cabeça, coração repleto de gratidão!

Fábio diz que tenho o "dedo verde"...A Hemerocállis Silvane tem a "garganta verde"...
Sinto a Alma verde! REVERDEJAR é preciso! 
Pois quando reconhecemos a sacralidade, a beleza, a incrível quietude e dignidade que existem em uma flor ou em uma árvore, acrescentamos algo a esta flor ou a esta árvore e ela à nós. 
Somos todos mestres e aprendizes...naturalmente.





sexta-feira, 20 de novembro de 2015

GAE-UFPel: Canteiro de Arte, Cidadania e Sustentabilidade!


"E não esqueça que a Terra adora sentir seus pés descalços e o vento se diverte em brincar com seus cabelos". – Khalil Gibran.


Estive na Bienal Internacional de Arte e Cidadania em Pelotas, no Rio Grande do Sul, para um troca de experiências com o GAE- Grupo de Agroecologia da Universidade Federal.

Um caminho natural. Um convite à inserção. Placa com letras coloridas dá as boas vindas e o recado "Resignifique o Universo" é estampado em uma pia reutilizada para a função. Ao lado, um espiral de ervas...foi possível sentir o cheiro bom da hortelã. Abraços me acolheram... 


O encontro aconteceu aos pés da mata...o data show, instalado entre as árvores, bancos improvisados em troncos de madeira, fogo de chão, chimarrão compartilhado, um cão pedindo e recebendo carinho. Passarinhos, muitos!
O espaço mencionado é ocupado pelo Grupo de Agroecologia da Universidade Federal de Pelotas, em Capão do Leão-Rio Grande do Sul. Um laboratório vivo. Uma sala de aula ao ar livre. Estou em casa.
Nada de teoria. Os Universitários me falam sobre as ações que acontecem por lá. São afetuosos, cordiais...e tem uma Energia contagiante. Não tive dúvidas, despi meus pés e também a alma. 
Abracei a "tribo" que me acolheu!
Ana Paula da Silva introduziu a minha prosa, com sua linda voz, somada a voz de todos...FORÇA era o que a canção pedia.
Levei minhas histórias. A experiência que fez com que eu me apaixonasse pelo Planeta Terra. Falávamos a "mesma língua", Foi o que senti. Diálogo de olhos que brilham. De emoções compartilhadas. Entre saberes. Construções e desconstruções. 
A "sala de aula" onde estive, é um espaço propício para o exercício da religação com a essência da vida, ao mesmo que desperta, integra, os demais cursos...tudo isso permeado por poesia, música e boas ideias compartilhadas. Conhecimento aliado a ações. 

Acredito que a educação por uma vida sustentável estimula tanto o entendimento intelectual da ecologia, como cria vínculos emocionais com a natureza. Por isso, ela tem muito mais probabilidade de fazer com que nos tornemos pessoas responsáveis e realmente preocupados com a sustentabilidade da vida, que sejamos capazes de desenvolver uma aplicação dos nossos conhecimentos ecológicos à reformulação das nossas tecnologias e instituições sociais, de maneira a preencher a lacuna entre a prática humana e os sistemas da natureza ecologicamente sustentáveis. 
O Grupo de Agroecologia da UFPel, forma uma rede onde cada membro dá sua contribuição ao projeto. Um projeto que vem somando  conquistas...reverberando em outros espaços informações técnicas e vivências de como ser um ser humano completo no mundo natural. Talvez a experiência do GAE, da "Escola Flor" e tantas outras espalhadas pelo Brasil contenha pistas sobre como outras instituições governamentais ou não, poderiam criar um sistema de educação que não apenas formasse pessoas capazes de vencer provas, mas que também tivessem a chance de se tornarem pessoas mais humanas.


Toda GRATIDÃO..
Ao professor Zé Éverton, que com seu olhar sensível, fez a ponte entre Joinville-SC e Pelotas-RS
Ao GAE-Grupo de Agroecologia da UFPel pela feliz troca de experiências
À querida, Sarah Dorneles da Silva, por me ceder suas imagens poéticas...






quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Pérolas...


"Maria Jiló" é uma senhora de 92 anos, miúda e tão elegante , que todo dia às 08 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão.
Hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente e não havia outra solução.
Depois de esperar pacientemente por 02 horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, a atendente deu uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela.
A senhora a interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho:
- Ah, eu amo essas cortinas!
- Dona "Maria Jiló", a senhora ainda nem viu seu quarto. Espera um pouco...
- Isto não tem nada a ver, - ela respondeu - felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada. Vai depender de como eu preparo minha expectativa.
- E eu já decidi que vou amar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo.
- Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem...
Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.
- Simples assim? - pergunta a atendente.
- Nem tanto; isto é para quem tem autocontrole e todos podem aprender. Exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos afora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em consequência, os sentimentos.
Calmamente a senhora continuou:
- Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidade na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.
Depois ela pediu para anotar: 

COMO MANTER-SE JOVEM
1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura. Deixe que os médicos se preocupem com isso.
2. Mantenha os amigos divertidos. Os depressivos procure ajudar se puder.
3. Aprenda sempre. Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso.
'Uma mente preguiçosa é a oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é Alzheimer!
4. Aprecie mais as pequenas coisas. Aprecie mais.
5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar. E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele/ela!
6. Quando as lágrimas aparecerem. Aguente, sofra e ultrapasse. A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios. VIVA enquanto estiver vivo.
7. Rodeie-se das coisas que ama: a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja.
8. Tome cuidado com a sua saúde:
Se é boa, mantenha-a.
Se é instável, melhore-a.
Se não consegue melhorá-la, procure ajuda.
9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa.
10. Diga às pessoas que as ama, e que ama cada oportunidade de estar com elas.

(Desconheço a autoria)


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Em DEFESA da VIDA!

.Defendo a alegria de sexta-feira mesmo sabendo que a segunda-feira preguiçosa está quase chegando. Ainda assim, saio em defesa da esperança de dias melhores.  

Defendo a diversidade de ser eu, tu, ele, nós, vós, elas seja na raça, credo, cor e no amor. Cada um que siga o seu destino. Cada um que faça a sua história.

Defendo ser forte, fraca, vulnerável, qualquer outra coisa da série “sou”, sem inventar, pensar, medir ou retrair. Defendo a autenticidade. 

Eu defendo o livre arbítrio, portanto é permitido quebrar a cara, as regras e voltar se quiser, com o joelho roxo e o coração esfolado. Defendo porque cada um tem o direito de produzir suas próprias experiências.

Defendo o direito de ser dolorosamente humano, deliciosamente sonhador, intempestivamente corajoso. Defendo para afastar o ranço da obviedade. 

Defendo o choro quando ele for necessário e o riso quando for indispensável, porque todos possuem o direito de atolar o rosto nas tristezas, para sair com uma alegria característica da superação.

Defendo a vida como única propriedade que temos e o mais que surgir pelo caminho, são coisas sortidas, avulsas e provisórias, inclusive o amor. Então, é preciso viver mesmo denso ou delicado. Viver enquanto é tempo.

Defendo a obrigatoriedade de fazer coisas banais. Lavar louça após o jantar de comemoração, sem a tristeza de estragar as unhas. Acordar cedinho para ver o céu sem resmungar pela hora. Tomar banho, cantando desafinado, sem querer alcançar os acordes musicais de um tenor de sucesso.

Defendo a exclusividade de todos os ciclos, da fartura de felicidade a escassez de motivos. Das sombras noturnas à claridade dos dias.

Defendo a vida coletiva, a interação e a permissividade de momentos de reclusão como necessários para reabastecer a alma.

Defendo os sentimentos verdadeiros e a valentia para divulgá-los. A coragem para afastar o medo. A bondade para estender a mão. A humildade para perdoar. A infinita capacidade para recomeçar. Defendo a insistência. A tolerância e o companheirismo. 

Defendo colher girassóis à tardinha. Pintar o dia mais cinzento. Bordar ternura nas palavras mais ásperas. Celebrar a gratuidade da natureza. Cabular as mágoas. Aceitar os abraços. Dar à mão a palmatória para mudar de rota. Virar o disco.

Defendo a delicadeza das mãos dadas. A gentileza das esperas. Defendo o novo jeito de viver sem o velho manual rígido que nos obriga a fazer coisas sem sentido

Defendo a liberdade e o calor mais bonito do encontro humano. Defendo e inauguro essas anotações.

Ita Portugal


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Basta o essencial!


O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial!
- Ricardo Gondim

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, rói o caroço. 
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. 

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. 
Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. 
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas. 
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral ou semelhante bobagem, seja ela qual for. 
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... 
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus. 
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. 
O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial!


Para meu tio Amor, José Ariovaldo. Com afeto.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

MÃOS QUE CONTAM...

"Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno."
Rubem Alves

As mãos acolhem o livro. Selecionam a história. Recebem os ouvintes, um grupo de Servidores Públicos Municipais que estão se preparando para a aposentadoria. 
Minhas mãos distribuem  ao centro do grupo sementes de Girassóis. Neste momento, tenho mãos de jardineira. Estou ali para "florestar corações"... E é assim que me apresento.
Carol Spieker, minha companheira no projeto "Rios da Alegria" tem as mãos inquietas. São instrumentos no ofício que tão bem representa. Mostra, gesticula, aponta... Encanta! Sua mão exibe seu compromisso com o Arte. Amor incondicional. As mãos que contam histórias movimentam Carol de um cenário imaginário a outro. A plateia vai com ela.
Minhas mãos demonstram meu entusiasmo. Quentes e úmidas pela emoção, complementam minhas ideias. Falo de uma FLOR AMARELA, teimosa...persistente. Falo ainda do homem que a encontra, vê na florzinha indefesa um obstáculo no seu caminho, que precisa ser enfrentado a qualquer custo. Esperança. Entusiasmo. A identificação de quem ouve pode ser observada também pelas mãos que descansam agora sob o colo, soltas... ou unidas. Seria uma prece inconsciente em defesa da flor?
Minha próxima história fala de uma Pipa. Relato colhido no quintal de uma Escola da Terra. Conheci as mãos do pequeno Ivan, protagonista da minha história, que "deram vida" ao brinquedo de papel de seda colorido...objeto animado do relato. E também a Escola. Palco dos voos mais altos que já pude sonhar... Um céu, onde podíamos fazer voar a alegria, a liberdade e a fantasia. Minhas mãos voam na lembrança de uma pipa no céu. Neste momento, as mãos de quem me ouve deslizam pelo rosto. As pipas de cada um, soltas ao longo da vida, são lembradas. Desapego. Mãos tentam conter uma lágrima teimosa, escorrendo emoção.
Neste momento, Seu Jairo aponta sua mão para os colegas chamando a minha atenção. "Olha ao teu redor!"- Pediu ele. Seu Jairo fora morador de rua, em boa parte da vida. Hoje, pedreiro, aguarda também a aposentadoria. No chão, parte de nossos ouvintes,  confortavelmente seguram o queixo com as mãos... Visivelmente mergulhados nos relatos apresentados. 
Seu Jairo lembra que era assim que ele, primos e irmãos ouviam as histórias da avó, ao redor de um fogão a lenha. Histórias movidas pelas mãos dos pequenos ouvintes. Que alternadamente acariciavam a cabeça da contadora de história, num gostoso cafuné. Este era o combinado...os meninos só poderiam ouvir o final da história, se as pequenas mãos também prosseguissem no carinho.
Foi possível sentir aquelas mãos grossas de pedreiro, procurando na minha cabeça alguma outra história. Foi possível tocar o mundo com as mãos do outro. A enxergar a história do outro, mesmo que seja triste. Éramos a própria história contada, e pudemos tocar o outro que também se contou (e se encontrou) ali na mesma narrativa, pudemos ser então,  ao mesmo tempo, nós e o outro. E assim, neste espaço comum, com nossas emoções compartilhadas e nossa capacidade de buscar finais felizes, talvez pudemos tornar a nossa história – e a do outro - menos triste. 
Vistas por este prisma, narrativas podem mesmo iluminar quem está na escuridão? Podem ensinar algo a quem não quer nem saber? Aprendi, com Rubem Alves, que as palavras podem, sim, ser capazes de alegrar e trazer a primavera até para as areias e gelo... 
E quando isso acontece...