segunda-feira, 14 de setembro de 2015

AMOR é pão feito em casa

Ontem fizemos pão aqui em casa...assim, a quatro mãos.
Um pão especial, feito com mel e cevada... 
Rimos muito, nos olhamos com ternura enquanto preparávamos a massa até dar o ponto esperado.
Então fiquei pensando, que o Amor também é assim...como Pão feito em casa..
.
Amor não é pão pronto...dormido e sem gosto!
Bom é prepará-lo diariamente, acordando a fome.

A escolha dos ingredientes, primando pela qualidade, estudando a alquimia, testando as combinações...
Tocar a mistura. Agilidade e carinho. Incorporar o que é bom ao dia a dia, transformando tudo em "massa lisa e saborosa."
Saber esperar pelo crescimento.Observar. Contemplar os resultados.
Massa pronta pede a quentura do fogo...que estimula, provoca e acentua o sabor.
O resultado é percebido pelo sabor e aroma que se espalham pelo ambiente e pela vida!

Minhas receitas favoritas... 

RECEITA DE PÃO
de Roseana Murray

É uma coisa muito antiga
o ofício do pão
primeiro misture o fermento
com água morna e açúcar
e deixa crescer ao sol

depois numa vasilha
derrame a farinha e o sal
óleo de girassol manjericão


adicionado o fermento

vá dando o ponto com calma
água morna e farinha

mas o pão tem seus mistérios
na sua feitura há que entrar
um pouco da alma do que é etéreo

então estique a massa
enrole numa trança
e deixe que descanse
que o tempo faça a sua dança

asse em forno forte
até que o perfume do pão
se espalhe pela casa e pela vida

Pão de Cevada -Malzbrot

INGREDIENTES

  • 300 g de malte de cevada moído (mosto da cerveja)
  • 800 g de farinha de trigo
  • 10 colheres (sopa) de mel
  • 10 g fermento biológico
  • 1 colher (sopa) de sal
  • 350 ml de leite
  • 1 colher (sopa) de margarina

    MODO DE PREPARO

    1. Em uma bacia misture todos os ingredientes com as mãos até que forme uma massa homogênea
    2. Daí amasse bem por no mínimo 10 minutos
    3. Cubra com um pano seco e limpo e deixe a massa descansar por no mínimo 1 hora
    4. Amasse novamente e coloque em forma para pão untada com óleo
    5. Cubra com um pano novamente e espere crescer bem (cerca do dobro do tamanho)
    6. Se desejar, antes de ir ao forno pode-se pincelar 1 ovo batido sobre o pão para deixá-lo bem dourado
    7. Asse em forno alto (250ºC) por 45 minutos
    8. Logo que retirar do forno, desenforme e mantenha sobre uma superfície arejada para não suar a parte de baixo do pão
    Amor e Pão...testados e aprovados! rs






terça-feira, 8 de setembro de 2015

UBUNTU: uma pequena história

A dor do outro é a minha dor. Enquanto houver um infeliz no mundo, não haverá felicidade real.
“Um antropólogo fez uma brincadeira com crianças de uma tribo africana. Ele colocou um cesto cheio de frutas junto a uma árvore e disse para as crianças que o primeiro que chegasse junto a árvore ganharia todas as frutas. Dado o sinal, todas as crianças saíram ao mesmo tempo e de mãos dadas! Então sentaram-se juntas para aproveitar da recompensa. Quando o antropólogo perguntou por que elas haviam agido dessa forma, sabendo que um entre eles poderia ter todos os frutos para si, eles responderam: Ubuntu, como um de nós pode ser feliz se todos os outros estiverem tristes?”
O “Ubuntu” é uma visão unificante do mundo, expressa por meio do provérbio zulu “Umuntu Ngumuntu Ngabantu” (Uma pessoa é pessoa por intermédio das outras pessoas). Este conceito é uma concepção da vida que encontra-se na base das sociedades africanas, e que contem em si o respeito, a partilha, a confiança, o altruísmo e a colaboração. Conceitua o homem enquanto “comunhão”, define a pessoa em analogia às suas relações com os outros. Uma pessoa com Ubuntu é aberta, disponível aos outros, solidária, sabe que é parte de um todo maior. Quando fala-se de Ubuntu entende-se um sentido mais forte de unidade nas relações sociais, para ser disponíveis a encontrar as diferenças presentes na humanidade do outro e enriquecer a nossa: “eu sou porque nós somos. ”.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Acho a maior graça

Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere... Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde. 

Prazer faz muito bem. Dormir me deixa 0 km. Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha. Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos. 
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias. Brigar me provoca arritmia cardíaca. Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago. Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano. E telejornais... Os médicos deveriam proibir - como doem! 
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada. Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde! E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda! Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna. Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau! Cinema é melhor pra saúde do que pipoca! Conversa é melhor do que piada. Exercício é melhor do que cirurgia. Humor é melhor do que rancor. Amigos são melhores do que gente influente. Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida. Sonhar é melhor do que nada!

Martha Medeiros





quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sobre Abraços

Abraço é coisa tão séria que não se empresta, se dá. E quando os corpos se encostam, todos os chakras se tocam. Abraço é coisa tão séria que junta os dois corações: pode ecoar para sempre ou esvaziar por inteiro. Pois quando a gente abraça, traz para dentro a pessoa: com bagagem, passado, infância, viagens e o principal: seu perfume espiritual. E o que recebemos nem sempre é o que damos_ por isso alguns são afagos que nutrem por um longo tempo e outros, desespero pra matar a fome, um devoramento. Recuso abraçar levianamente, abraço com meu enrosco de afeto demais, amor puro, corpo colado para o abraço ser sentido, ter sentido. Abraço que é de verdade pode até ser dado de longe, pois ultrapassa as esferas e desconhece distâncias, é todo feito de encontro. Abraço é coisa tão séria que há de ser doce, leve, divertido, espontâneo, mesmo quando acalanto, colo ou celebração. A gente agarra por impulso de carinho porque a sintonia é a mesma. E quando o abraço termina, quando ele é dado de graça, fica a cosquinha no peito, uma brisinha na alma e a harmonia instalada.-Marla de Queiroz





A Free Hugs Campaign (Campanha dos Abraços Grátis) é um movimento social que envolve pessoas oferencendo abraços para estranhos em locais públicos. A campanha começou em 2004 por um homem australiano conhecido pelo pseudônimo "Juan Mann". O movimento se tornou internacionalmente famoso em 2006 por causa do videoclip no YouTube da banda australiana Sick Puppies. O vídeo atualmente é um dos mais vistos no site, tendo sido assisistido mais de 72 milhões de vezes. Os abraços são um exemplo de um ato de bondade e humanitário executado por alguém cujo objetivo é apenas fazer as pessoas se sentirem melhores.






E você...já abraçou alguém hoje?


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Tempos de Violino

História do Violino de meu Pai Benigno- por Cecília Dalva Silva.

Conto esta história a partir das lembranças que guardei em minha memória sobre meu pai Benigno Silva e seu violino.

Meu avô contava que nos idos de 1920, o seu filho Benigno, já com sete anos de idade, assoviava e cantarolava todas as canções que ouvia no pequeno rádio do Sítio onde vivia com seus pais Sebastião Silva e Antônia Teixeira e mais seus sete irmãos.Também dedilhava o violão que sua mãe tocava nas noites enluaradas daquele cantinho do céu, próximo à cidade de Mineiros do Tietê (SP).

Foi no dia em que meu avô visitava um parente (de uma família tradicional em Jaú/SP), que começou a história do Violino que veio da Itália. O Patriarca dessa família comentou com meu avô sobre um violino, que mandara vir da Itália porque desejava muito que seu filho aprendesse a tocar esse instrumento. Mas, para decepção do pai, o jovem não aceitou esse presente. Sabedor do gosto que o menino Benigno tinha por música, ofereceu ao meu avô o tal violino que estava esquecido em um armário, em troca de produtos do sítio (inclusive uma vaca de boa raça). E assim, ao cair da tarde daquele dia, o menino Benigno viu ao longe seu pai chegando com uma caixa que trazia em seu interior um presente que o acompanhou por toda sua vida. Quando Benigno pegou o violino em suas mãos, imediatamente começou a afinar as cordas como sempre fazia com o violão e começou a tirar sons dedilhando devagarinho, encantado com a sonoridade daquele pequeno instrumento. Diante da reação do filho, meu avô perguntou ao menino se ele queria aprender a tocar violino e escutou como resposta um alegre: Sim!
A partir do dia em que meu avô contratou um professor muito respeitado e exigente na cidade de Jaú (que ficava a alguns quilômetros do sítio), Benigno caminhava com seu violino, dois dias por semana, pela estrada de terra até aquela cidade para estudar. E novamente meu avô combinou pagar as aulas com os produtos do sítio.Desde então, e até quando meus avós se mudaram para a cidade de Duartina (SP), Benigno estudou, com dedicação e alegria, com esse professor. Para surpresa de todos que o conheceram, ele lia e tocava, mesmo à primeira vista, qualquer partitura que lhe pusessem à frente.

Tornou-se um notável violinista tanto na execução de músicas clássicas como populares, sempre como se o violino fosse a continuação de sua alma sensível e musical. Bastava alguém cantarolar uma canção, mesmo que ele nunca tivesse ouvido, imediatamente tocava e também escrevia as notas nas pautas dos seus inúmeros cadernos de músicas que sempre trazia consigo.

Já jovem, em Duartina, passou a tocar em um Conjunto Musical "Jazz Band" no Clube da cidade, em Casamentos, Serenatas e em Reuniões semanais com os amigos.


Casou-se com Cecília Celso com quem teve duas filhas: Cecília Dalva e Celina Maria. Contou-me minha mãe que desde meu nascimento, eu dormia, ao som do violino que meu pai tocava e tocou sempre, todas as noites de sua vida até quando faleceu aos 66 anos de idade.

Guardo comigo, em minha alma e em meu coração a lembrança de meu pai, todas as noites, inundando a nossa casa com as mais belas melodias que brotavam de seu violino, como orvalho sereno de alegria e tranquilidade.

CANTIGA PARA MEU PAI 

Hoje eu canto esta cantiga
De saudade e de esperança.
Saudade de sua presença,
Esperança de que chegue
até você
Esta cantiga sem melodia,
Notas tristes de um violino
Calado em seu cantinho
Aguardando paciente
O dedilhar de seu violinista.

Deve haver em algum lugar,
Nesse Universo infinito,
Um violino silente;
Quando encontrá-lo,
Toque, meu pai,
Como fazia, 
Quando eu era pequenina,
Para sua filha dormir!

O céu brilhará com suas músicas
E dos olhos dos anjos
Lágrimas de encantamento
Abençoarão os espaços infinitos
Na espiral luminosa da evolução.

Cecília Dalva
Garça(SP): Dia dos Pais-1975

Novos acordes
O violino do Sr. Benigno ficou sob a guarda de seu neto Fábio Ricardo. Mesmo guardando-o com todo zelo, o instrumento nunca mais foi tocado e já ia apresentando sinais da ação do tempo. Um violino guardado...apenas um objeto estimado, remetendo a lembrança de tempos idos.
Tal situação causava um certo desconforto em Fábio Ricardo e sua mãe...Instrumento tocado é instrumento VIVO!
Movido por este desejo Fábio Ricardo manifestou o interesse em repassar o violino para quem o tocasse...
Gabriel Vieira foi quem adquiriu o instrumento. O violinista de 20 anos, de Joinville, integra a Orquestra da Sociedade Cultura Artística (Scar), em Jaraguá do Sul, dá aulas de música, comanda um estúdio de gravação e ainda arranja tempo para tocar na noite joinvilense. Ele também cursa a faculdade de música, que o mantém de terça a quinta-feira em Florianópolis.  O violino do Sr. Benigno não poderia estar em mãos mais talentosas. E uma das sua primeiras ações foi encaminhá-lo a um luthier especializado, para que o violino recebesse os cuidados necessários. O resultado foi excelente e entre notícias do processo de recuperação, Gabriel anuncia que o violino seria "batizado" de Italianinho. em respeito a sua origem.

Um presente para Fábio
Fábio, o neto do Sr. Benigno se emociona ainda ao relembrar o avô tocando o violino...fez parte da sua infância os afinados acordes tocados pelas mãos hábeis daquela figura tão bondosa empunhando seu instrumento.
Baseado nestes relatos uma música tocada no Italianinho por Gabriel Vieira foi o presente-surpresa de Fábio, por ocasião de seu aniversário. Wave de Tom Jobim foi a música escolhida. Reunidos, amigos e aniversariante surpreenderam-se com o conjunto-fenômeno "violino e violinista". Gabriel e o seu Italianinho despertaram suspiros, sorrisos e lágrimas. Emocionaram.




Encantada...movida pela poética da emoção compartilhada, empresto as palavras de José Saramago para externar meu sentimento de GRATIDÃO!


Em violino fado - José Saramago 

Ponho as mãos no teu corpo musical 
Onde esperam os sons adormecidos. 
Em silêncio começo, que pressente 
A brusca irrupção do tom real. 
E quando a alma ascendendo canta 
Ao percorrer a escala dos sentidos, 
Não mente a alma nem o corpo mente. 
Não é por culpa nossa se a garganta 
Enrouquece e se cala de repente 
Em cruas dissonâncias, em rangidos 
Exasperantes de acorde errado.

Se no silêncio em que a canção esmorece 
Outro tom se insinua, recordado, 
Não tarda que se extinga, emudece: 
Não se consente em violino fado.



                                      Gratidão à Cecília Dalva, por presentear-nos com suas doces lembranças,
Gratidão à Gabriel Vieira e sua arte admirável,
Gratidão à Fábio Ricardo por compartilhar comigo, suas emoções,
Gratidão e honra à memória de Benigno Silva, que fez chegar a mim, 
os acordes de sua passagem por aqui. 











sexta-feira, 21 de agosto de 2015

VIDA!!

(Aniversário teu...
Celebro eu! 
Te desejo VIDA, amor meu!)



Eu te desejo vida, longa vida
Te desejo a sorte de tudo que é bom

De toda alegria, ter a companhia
Colorindo a estrada em seu mais belo tom


Eu te desejo a chuva na varanda
Olhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar


Eu te desejo a paz de uma andorinha
No voo perfeito contemplando o mar
E que a fé movedora de qualquer montanha
Te renove sempre e te faça sonhar


Mas se vier as horas de melancolia
Que a lua tão meiga venha te afagar
E que a mais doce estrela seja tua guia
Como mãe singela a te orientar


Eu te desejo mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô


Eu te desejo muito mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

-Te desejo vida-Flávia Wenceslau.














sexta-feira, 14 de agosto de 2015

SINTO MUITO!

Sensibilidade nesse mundo requer grande dose de  coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Ser intenso em tempos de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra de que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse zelo espontâneo com os outros. Esse desejo tão puro de que ninguém sofra por nada. Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade que faz a alma líquida, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, claro que existe. Essa possibilidade de se experimentar o sofrimento, quando o sofrimento chega, com a mesma intensidade que se experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o grandioso que também mora na sutileza. Esse desejo de espalhar sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.

Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim.
Sou o que sinto. Sinto muito.